O Oriente domina o mundo na Era da Tecnologia

por Gabriel Elias – 05/06/2018

Vivemos no auge da Terceira Revolução Industrial, a Revolução Tecnológica e Científica. Após o fim da Segunda Guerra Mundial, o mundo começou a se aprofundar em pesquisas, e transferir os conhecimentos adquiridos para as linhas de produção. Enquanto as potências mundiais da segunda metade do Século XX, Estados Unidos e União Soviética travavam uma guerra particular na questão de desenvolvimento armamentista, os países do Oriente, alheios a essa concorrência, juntavam a aplicação da tecnologia de ponta com programas econômicos a longo prazo. Hoje, percebe-se como a estratégia dá certo.

Após a derrota na Segunda Guerra Mundial e a proibição de atividades bélicas, o Japão, com ajuda dos Estados Unidos através do Plano Marshall, por causa do avanço das ideias comunistas na região, decidiu se reerguer, investindo a curto prazo em questões mais essenciais, como educação, segurança e infraestrutura, e a médio e longo prazo nas linhas de produção e tecnologias de ponta. O processo de crescimento industrial do Japão já começou nos anos 50, logo após o país ser totalmente destruído pelas forças americanas. Porém, durante algumas décadas o país baseava seus produtos nos exemplos ocidentais, e só a partir de meados dos anos 80 decidiu priorizar inovação e qualidade, e isso se tornou uma marca dos produtos japoneses que dura até hoje.

Na área da robótica, o Japão tem o robô mais avançado do mundo (ASIMO), e em outras categorias também se faz a melhor demonstração de qualidade e avanço. Telecomunicações, Supercomputadores e empresas de informática exemplificam o domínio dos japoneses, como SonyToshibaJVC etc. E isso também fica claro no setor automobilístico.

Segundo a consultoria Focus2Move, três das cinco marcas de carros que mais venderam no mundo em 2017 são japonesas: Toyota em primeiro, com 8,7 milhões de automóveis vendidos; Honda em quarto, com 5,2 milhões; e Nissan em quinto, com 5,1 milhões. A alemã Volkswagen (6,8 milhões de vendas) e a americana Ford (6,1 milhões de vendas) ocupam a segunda e terceira posições, respectivamente. No top 10, também aparece outra montadora japonesa, a Kia, em oitavo lugar com 2,8 milhões de vendas. Um pouco mais acima no ranking, em sexto, aparece outra montadora asiática, a sul-coreana Hyundai, com 4,4 milhões de automóveis vendidos.

Outro produto tecnológico considerado primordial na casa de cada um hoje em dia é a televisão, e a Ásia também domina essa área. No Brasil em 2016, a venda de aparelhos televisores caiu 20%, mas mesmo assim a multinacional coreana Samsung, pioneira nas TVs com resolução 4K, cresceu em vendas, se mantendo na liderança da categoria, segundo dados da consultoria GfK. O pioneirismo da empresa asiática nos aparelhos com a melhor resolução do mercado mundial é fundamental para não ser afetada pela crise: o faturamento com as TVs 4K cresceu em 96%, enquanto os demais modelos tiveram queda de 1,5%. Além da Samsung, a também coreana LG teve um crescimento notável com seus aparelhos Ultra HD, de 80%.

Assim como nas indústrias e linhas de produção, a tecnologia também renovou a forma que o consumidor adquire seus produtos. As lojas virtuais, com o passar dos anos, vem tomando o lugar das lojas físicas e entrando de uma vez por todas no cotidiano do cidadão. Antes usadas para revendas ou trocas de mercadorias, as “weblojas” atualmente vendem de tudo, desde automóveis até coisas mais básicas e essenciais para o dia-a-dia.

Segundo pesquisa da loja virtual Buscapé, os produtos mais vendidos na Internet em 2017 foram smartphones, produtos de informática e games, nesta ordem. Quando analisadas as empresas que mais venderam em cada uma dessas categorias, consegue-se perceber uma predominância das marcas orientais, por mais que o estudo tenha sido feito com dados de outro lado do mundo.

Entre as cinco marcas que mais venderam smartphones no Brasil em 2017, três delas são asiáticas: a coreana Samsung lidera, com a conterrânea LG em terceiro lugar, e a taiwanesa Asus em quarto. As marcas “intrusas” nessa lista são as americanas Motorola (segundo lugar) e Apple (quinto lugar). Quanto aos computadores, a única marca oriental que figura entre as cinco mais vendidas é a Asus, em quarto. E segundo um estudo da empresa americana CNBC, quatro das maiores empresas produtoras de games são asiáticas. Quem lidera a lista é a americana Microsoft (produtora do console Xbox, além de jogos de sucesso, como Halo e Minecraft), seguida pela chinesa Tencent (criadora da Riot Games, desenvolvedora do game League of Legends, o jogo para computador com mais adeptos no mundo), pela japonesa Nintendo (tradicional empresa do mundo dos games, criadora e detentora dos direitos das franquias MarioSonic Pokemon), pela também japonesa Sony (criadora do PlayStationvideogame de mais sucesso no mundo), e pela coreana NCSoft (desenvolvedora da tradicional franquia de jogos Lineage).

As vendas pela Internet refletem nas empresas de tecnologia. De acordo com o ranking anual BrandZ, a marca que mais cresceu entre 2016 e 2017 foi a Amazon, site americano de comércio eletrônico, aumentando em 41% o seu valor de mercado, atingindo os US$ 139 bilhões. Em segundo lugar nesse ranking, aparece a provedora de filmes e séries americana Netflix, que cresceu 30% e tem seu valor estipulado em US$ 12 bilhões. A Netflix, por mais que não seja encarada desta forma naturalmente, pode ser entendida como uma forma de venda através da internet também, pois seus assinantes têm um catálogo enorme de obras de cinema e programas de entretenimento. Tanto é uma forma de comércio que, na prática, a Netflix foi algo virtual que tomou o lugar das locadoras de fitas e DVDs, lojas físicas que foram sumindo de pouco em pouco, e podem ser vistas como um grande exemplo deste progresso do mundo ligado à internet. A sequência continua com a rede social americana Facebook em terceiro (crescimento de 27%, valor de US$ 130 bilhões), a desenvolvedora chinesa Tencent (crescimento de 27%, valor de US$ 108 bilhões), a empresa de softwaresamericana Salesforce (crescimento de 23%, valor de US$ 12 bilhões), e mais duas asiáticas: a empresa coreana de telecomunicações Samsung (crescimento de 23%, valor de US$ 24 bilhões) e o site de comércio eletrônico chinês Alibaba (crescimento de 20%, valor de US$ 59 bilhões).

Um dos países que mais possui compradores no portal chinês Aliexpress, da empresa Alibaba, é o Brasil. E o sucesso dessa empresa pode servir como um grande e atual exemplo do sucesso econômico da China. Detentora do segundo maior Produto Interno Bruto do mundo, o país asiático, que possui praticamente 20% da população mundial, teve um papel muito tímido na economia mundial por mais de um século. No final dos anos 70, houve uma reforma por parte do governo chinês no que diz respeito à economia, passando de algo planificado centralizado e fechado ao mercado internacional (aos moldes soviéticos), para uma ideia de economia com forte setor estatal, e um setor privado em franco crescimento. Assim sendo, a China viu seu espaço na economia global crescer exponencialmente.

O portal Aliexpress chama tanto a atenção de consumidores ao redor do globo principalmente por causa de seus preços baixos e boa qualidade dos produtos. Em entrevista ao portal EXAME.com, o professor Gilberto Braga, do Instituto Brasileiro de Mercados de Capitais (IBMEC), disse que existem diferentes motivos que explicam a diferença de preços entre os produtos chineses e os demais. Em primeiro lugar, estariam os custos de fabricação, muito mais baratos do que os brasileiros. “Eles produzem em escala muito maior, o que determina diferentes mixes de produtos e de despesas. As leis trabalhistas também são menos rígidas, o que determina um custo de mão de obra mais baixo e não têm a mesma carga tributária elevada sobre a produção e o lucro como no Brasil”, afirma. E além disso, os sites chineses também têm como uma vantagem a não-cobrança de frete, mesmo para países distantes como o Brasil. Braga explica que, como costumam trabalhar com volumes elevados, normalmente as empresas chinesas mantém convênios com companhias aéreas e de navegação, o que pode justificar a ausência de taxas de entrega, em algumas situações, mesmo quando o pedido é de pequena quantidade.

Num cenário pré-Segunda Guerra Mundial, o Oriente nunca seria encarado como parte essencial da economia global, e da vida de cada cidadão do mundo. A determinação dos asiáticos em crescer e aparecer para o planeta ajuda a explicar um pouco desse domínio na Era da Tecnologia.

Também publicado em:http://agemt.org/?p=13595

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